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A abertura deste espaço jornalístico objetiva dar mais amplitude às notícias veiculadas, neste UN e em outras mídias. Temos consciência que desagradaremos “companheiros de ofício”, empresários, e muitas autoridades, que se julgam imunes aos questionamentos e levantamentos dos fatos. E daí? Faz parte do ofício.
A reeleição de Odilon Oliveira, prefeito de Oratórios, à presidência da Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Rio Piranga, Amapi, pode promover definitivamente o resgate da credibilidade desta entidade, que já foi de elevada importância para as cidades da região, mas que se perdeu, financeira, política e administrativamente, ao longo dos últimos anos, por quase absoluto abandono da maioria dos seus prefeitos associados. A maioria deixou o barco à deriva, preocupados com os seus umbigos, com os seus interesses políticos, esquecendo-se dos compromissos maiores e coletivos.
Para dar exemplo aos demais prefeitos, associados ou não, presidentes de Câmaras de Vereadores e outras autoridades políticas, não faria mal nenhum a Amapi divulgar, regularmente, sua vida administrativa e contábil. Prestar contas de maneira clara, transparente, de forma ampla, é uma obrigação do homem público, conforme determinam as legislações vigentes.
Soaram no mínimo estranhas as declarações dos prefeitos de Acaiaca, José Calixto Milagres, Zezinho, e de Ponte Nova, Luiz Eustáquio Linhares, Taquinho Linhares, na reunião de reeleição de Odilon Oliveira em 27/12, na sede da Amapi, sobre a atuação do Ministério Público, de políticos oposicionistas e de setores da imprensa. Reportou este UN que “Taquinho Linhares alegou que não teria tempo para assumir o cargo, “Fico na prefeitura até 10, 11 horas da noite, e meu tempo está sendo todo ocupado para responder o Ministério Público e a oposição. O Ministério Público agora virou Ministério Público dos prefeitos”, disse Taquinho. Taquinho voltou a criticar alguns setores da imprensa que segundo ele querem fazer terrorismo na sua administração”.
O Ministério Público cumpre a sua parte e faz o seu trabalho. Quando questionado tem que abrir procedimentos para atender o questionador. Se um Promotor de Justiça não agir quando questionado, poderá ser inquirido junto aos órgãos superiores, na Corregedoria. Algumas vezes, quem questiona, move-se por exageros, desconhecimentos legais e até picuinha política. Pior é a omissão, e a submissão a estranhos interesses.
Quanto a setores da imprensa que “fazem terrorismo”, o prefeito Taquinho Linhares age contraditoriamente ao seu passado. Quando vereador foi um dos responsáveis pela cassação do ex-prefeito Padre Ademir Ragazzi, na década de 90 (1993-1995). Alguns profissionais de imprensa acompanharam, participaram e deram guarida, aos discursos e atos de Linhares, e de seus companheiros. Naquela época, como hoje, ocorreram exageros. O ex-prefeito Ademir caiu calado, sem jamais acusar setores da imprensa, sem revelar os verdadeiros “homens que participaram da sua derrocada”. O ex-prefeito pagou sozinho.
A história política do atual prefeito não deveria contemplar tais tipos de atitudes e manifestações, embora, o direito de manifestação seja garantido pela Constituição Federal. A sua história é muito maior do que os arroubos momentâneos do poder.
Ainda em sua reportagem, este UN reporta que o prefeito de Acaiaca José Milagres chegou a solicitar ao prefeito de Mariana, Celso Cotta, presidente da Associação Mineira dos Municípios, que providenciasse algum tipo de ação, para amenizar a ação do Ministério Público e dos Juízes que julgam as denúncias, “Hoje está muito difícil de trabalhar, qualquer coisa que se faz, tem alguém denunciando e ai complica todo o trabalho da gente, que luta pra fazer uma gestão honesta”, disse José Milagres. Também no caso do prefeito “Zezinho Milagres”, em que se pese o direito à livre manifestação, ele deve saber os limites de sua ação. Se ele não errou, que se defenda. Se foi feito tudo direitinho, que fique tranqüilo, será inocentado. O Ministério Público e a Justiça são independentes.
Ao divulgar prestação de contas de despesas de viagens feitas pelos seus vereadores até novembro de 2007, a presidência da Câmara de Vereadores de Ponte Nova, cumpre determinações legais, não faz mais do que a sua obrigação, mas ainda dá um exemplo a quase todas as Câmaras e prefeituras da região, que não informam os seus atos, nem com “reza brava”. Por outro lado, ao informar as despesas deixou-as em aberto para os mais diversos questionamentos e interrogações: As viagens realizadas foram absolutamente necessárias? O objetivo da viagem foi cumprido? O que a sociedade ganhou com cada viagem realizada?
Algumas despesas seriam menores, ou até desnecessárias, se usados recursos da tecnologia moderna, para contatos, tais como: telefones, internet, vídeos promocionais e institucionais, etc. Levantando-se o custo-benefício das viagens de cada vereador, verificamos que há edil que não trouxe nada de concreto para o Município, a não ser despesas.
Ainda assim, a Câmara dá um grande exemplo. Da discussão vem a luz. Que outros acompanhem o exemplo. Que a Câmara divulgue outras despesas.
Marcos Dias (Repórter do Jornal Listão de Notícias, ex-assessor de imprensa da Câmara de Vereadores e da Prefeitura de Ponte Nova, 1991 a 2004).
criado por marcosdiasr
11:14:39