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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008, 06

05.04.08

Cassação, Pizza, desmoralização e omissão

   A decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais – TRE – ocorrida no dia 1º/4, cassando o mandato da vereadora Regina de Fátima Nogueira (DEM), de Ewbanck da Câmara, nos termos da Resolução 22.610/2007, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que trata da infidelidade partidária deixou em polvorosa dezenas de parlamentares mineiros que se encontram na mesma situação. Em Ponte Nova, o momento é de silêncio, de espera e de muita oração. Os vereadores Paulo Roberto dos Santos (PSB); Wagner Guimarães e Aninha de Fizica, ambos do PV, permanecem mudos sem se manifestar. Há muito medo e apreensão.

 

 

   Este blog teve acesso a boletins e resultados de três pesquisas eleitorais feitas em Ponte Nova, nos últimos 15 dias, que não foram registradas na Justiça Eleitoral. A situação encontra-se muito indefinida. A provável ausência de “caciques políticos” na disputa, como Antônio Bartolomeu, Carlos Jardim, Zezé Abdalla, Orlando da Coferpon e Joãozinho Carvalho, deixa o quadro muito confuso e milhares de eleitores órfãos. As pesquisas avaliaram positivamente a atual administração, mas ao mesmo tempo mostram um quadro de rejeição ao atual comandante. As pesquisas dão suposta dianteira a fictícios nomes como Dr Nullo, seguido de Zénunssei. O eleitor ainda não se posicionou. Está à espera de definições.

 

 

     Ponte Nova é igual à Brasília? Não. Está quase igual: na capital federal, as indigestas “pizzas” produzidas pela Câmara dos Deputados e Senado, envergonham os cidadãos. Em Ponte Nova, há cheiro de orégano no ar, sendo preparada pela CPI do Novo Olhar. Os depoimentos dados aos membros da CPI - Wagner Guimarães (PV), presidente, Pastora Rosângela (PSB), Relatora, e Valéria Alvarenga (PSDB), principal denunciante, dão mostras e evidências de supostas relações e favorecimentos ilegais a membros da Associação Novo Olhar, e a assessores e servidores municipais. Depois de propalar que “nada devia, e que estava tudo certinho”, o prefeito foge pela tangente: acusa que a CPI faz devassa, e que foge do foco da investigação. Assim, catimba e tenta impedir uma investigação mais concreta. A Câmara tenta na Justiça garantir o direito de ter acesso a comprovantes pagamentos que podem garantir os favorecimentos ilegais. Longe dos holofotes, o prefeito e uma tropa de choque pressionam os dois aliados da Cpi para a conclusão imediata dos trabalhos. O resultado das pressões pode ser a não convocação de mais testemunhas para prestar depoimentos, dentre as quais as Assessoras Selma Linhares e Milena Campos de Oliveira. Faltam explicações sobre a doação de material e equipamentos à Novo Olhar pela prefeitura, sem autorização legal. Dentre um emaranhado de interrogações falta explicar a saída de cimento, areia e brita do pátio da Secretaria de Obras para a fabricação de bloquetes. A população não perdoará a falta de explicações e elucidação do que já se considera um “grande laranjal”. Um arquivamento ou emissão de relatório sem apuração devida pode aprofundar a crise de credibilidade do Poder Legislativo.

 

 

   A credibilidade da Câmara de Vereadores piora a cada dia. O prefeito faz o Poder Legislativo de “gato e sapato”, com reações isoladas e coreográficas.O Chefe do Executivo está se lixando para o cumprimento de prazos no envio de projetos de leis. Passa por cima do Regimento Interno, vira as costas para a Lei Orgânica do Município. Faz tudo ao contrário do que fez e praticou quando foi vereador (e dos bons!). Age como se fosse dono da Casa. Os inquilinos do Legislativo têm prazo de moradia, e reagem timidamente, salvos alguns roucos protestos dos vereadores oposicionistas. Praticamente inexiste a independência dos poderes. Em Brasília, a base aliada atende cegamente as orientações palacianas. Em Ponte Nova, não há diferença, os governistas obedecem as ordens do “Comandante”. Caso contrário terão as suas cabeças ceifadas e com elas os seus projetos eleitorais. Ainda há tempo, para o Legislativo retomar o seu verdadeiro e histórico papel. Sem radicalismos e sem omissão. Figuras como Wilson Carvalho, João Mayrink, João Calça-Larga, Bié, Walter Isaac, Francisco Linhares Ribeiro, Abdalla Felício, e outros grandes nomes, devem estar se remexendo nas suas moradias eternas.

 

 

   Os “ambientalistas” de Ponte Nova, do Codema, da Puro Verde, e assemelhados, devem satisfação aos desmandos que ocorrem no setor. Nunca se viu tanta transgressão, tanta agressão, sob os olhares coniventes, obedientes, com raros casos de protestos, sem ação efetiva e adequada. Há “ambientalistas” que afirmam, convictamente, que não há nada irregular, e suas posições modernizaram-se, e que hoje preferem não agir isoladamente. Agem em consonância com a entidade. Qual entidade? Se houve omissão no passado (e eu me incluo dentre os omissos), hoje ela continua. Antes, e em alguns casos, de maneira inconseqüente, se julgava que o patrimônio ambiental jamais se acabaria. Atualmente, há muito conhecimento, as posturas são mascaradas com atitudes de modernização, revitalização, política de segurança, que escondem muitos interesses escusos. Falta transparência.

 

marcosdiasr@yahoo.com.br

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  • Postado em 21:39:30