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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008

18.04.08

2ª parte: Demissões, aliança política e Jimi

Tone do Badalo – “Sem exageros e com fiscalização firme”.

  “O fato acontecido foi muito grave. Mas não podemos fazer julgamento precipitado. Somos legisladores, não podemos ser levados pela emoção para tomarmos qualquer tipo de posição. Temos que estar atentos às formalidades legais e exigirmos o seu cumprimento. Estamos buscando informações para tomarmos nossa posição”.

 

Paulo Roberto –

  “Eu ainda acredito no prefeito Taquinho Linhares”   Substituindo Dennis Mendonça, presidente, ausente, Paulo Roberto dos Santos, disse que não pode fazer pré-julgamento das prisões. Ele citou uma passagem bíblica que contava a história de uma mulher pecadora, que a população queria puni-la, mas que Jesus a amparou. Sobre a passagem bíblica ele tirou a seguinte frase – “Quem não tem pecado que atire a primeira pedra”. Paulo Roberto disse que não há provas contra os secretários que eles estão sendo julgados previamente. Ele condenou os excessos da imprensa local, sem citar nomes.

 

 José Mauro Raimundi

    “O prefeito tem que se explicar”. Ponderadamente, o vereador falou que não se pode deixar levar pela emoção um caso desses. Ele cobrou informações sobre o uso do carro oficial para ir buscar Selma e Gilson, na cadeia. “Para alguém que pregava que era transparente, que a sua mulher era a mais competente e inteligente do mundo, deve ter sido um duro golpe”.

 

José Anselmo

   “Tem que ser apurado, mas sem excessos”. “Um caso como esse tem que ter todo o cuidado. Não podemos nos omitir e nem podemos condenar ninguém. Temos que ter todas as informações para elucidar a questão”.

 

Ex-assessores são denunciados

  Na quinta-feira 10, a Procuradoria Regional da República da 1ª Região (PRR-1) apresentou ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região denúncia contra Selma Alves Ferreira, Selma Linhares, e Gilson Alves Freitas, e diversos outros suspeitos de envolvimento com o suposto esquema de desvio de recursos do Fundo de Participação de Municípios (FPM).

 

Secretários desistem de candidatura

   Em meio a crise que se instalou no governo municipal, Fernando Andrade e Sônia Regina Guimarães, desistiram de concorrer a uma cadeira à Câmara de Vereadores, pelo Partido Socialista Brasileiro, PSB. Eles retomaram seus cargos nas secretarias de Assistência Social, e Desenvolvimento Rural, na segunda-feira 14. Fernando Andrade acumulará o cargo de secretário de Planejamento.

 

Surge a 3ª via nas eleições municipais

   Dirigentes de cinco diretórios e comissões municipais de partidos políticos reuniram-se no Sindicato Rural, na quarta-feira 16, e na sexta-feira 18, com o propósito de debater a formação de uma aliança política para às eleições municipais deste ano. Aguarda-se para os próximos dias a apresentação de nomes que representem o grupo para concorrer a prefeito e vice, em 5 de outubro de 2008. Os dirigentes consideraram muito bom o encontro. Estiveram presentes Joãozinho Carvalho, Antônio Bartolomeu, Toninho Moreira, Toninho Araújo e Jorge Thomaz (PTB), Gilson Oliveira e Geraldo Jannus (PMDB), José Alfredo Padovani, Sônia Penna e Afonso Mauro Pinho Ribeiro (PV), Tone do Badalo e Celso Peçanha (PDT), e Geraldo Felício da Cunha, Geraldo Abdalla (PSDB).

 

Depoimentos

   “Vamos esquecer a vaidade e pensarmos somente no desenvolvimento na população. Daremos uma injeção de otimismo na cidade”, argumentou Joãozinho Carvalho (PTB). “A reunião foi ótima. Todos abriram mão de nomes para se construir uma candidatura de interesse suprapartidário”, elogiou Geraldo Abdalla (PSDB). “Já havíamos definido por candidatura própria, mas abriremos mão no sentido dos partidos trabalharem em conjunto para a cidade”, declarou Gilson Oliveira (PMDB). “Estamos iniciando uma nova caminhada política. Temos que abrir mão de qualquer interesse pessoal. A reunião foi excelente” resumiu Peçanha (PDT). “Fizemos uma reunião com o propósito de construir uma via política diferente das que já estão postas. A discussão foi muito boa”, sintetizou Alfredo Padovani (PV).

 

Jogos do Interior de Minas

  Teve início na quinta-feira 17, e prossegue até segunda-feira 21/4, em Ponte Nova, a 1ª etapa da 24ª edição dos Jogos do Interior de Minas, JIMI, da região Sudeste A. Cerca de mil atletas e dirigentes de dezoito cidades, incluindo Ponte Nova. disputam a competição nas modalidades de basquetebol, futsal, handebol e voleibol, masculino e feminino. Os jogos ocorrem nos ginásios poliesportivos do Palmeirense e da Escola Municipal José Maria da Fonseca. No desfile de abertura, ocorrido na 5ª feira, o prefeito Taquinho Linhares não esteve presente. Das sete vezes que se realizou uma fase do Jimi, em Ponte Nova (1988, 1991, 1997, 2.000, 2003 e 2.004), foi a primeira vez que um prefeito se ausentou da cerimônia de abertura. Ele foi representado pelo secretário Fernando Andrade.

 

Confraternização e Cultura

   Paralelamente aos jogos se desenvolverá uma ampla e eclética programação cultural. Todos os dias, na praça de Palmeiras, em frente da Escola Municipal José Mariano, ocorrerão shows e manifestações artísticas. Outros eventos: hoje, sexta-feira 18, a partir de 22 horas, Baile do Jimi, no Pontenovense Futebol Clube; sábado 19, a partir de 20 horas, no Colégio Salesiano Dom Helvécio, eleição da Garota e do Garoto Salesiano, com boate; no domingo, a partir de 23 horas, no Acabiara Clube, show da Banda Manitu e boate.

 

Manitu faz Show em Ponte Nova

  A banda mineira Manitu, uma das mais emergentes do momento, vai se apresentar aterrissar pela primeira vez em Ponte Nova, neste domingo 20, no Acabiara Clube. O show é uma parceria do clube e do site Leo Moreira. A banda promete agitar o público com os sucessos como: Estória, Fico a te Esperar, Dez Segundos, Enloucresça, Paz, etc. Formada por Alexandre Maia (vocalista), Fabão (baixista), Daniel Couto (guitarrista) e Emerson Neiva (baterista), o Manitu faz uma mistura diferenciada, que vai do pop ao reggae, criando uma sonoridade dançante e harmoniosa. A banda Manitu foi constituída no final de 2001 e realizou mais de 600 shows nos principais eventos do país, conquistando um público enorme e fiel, que sempre lota os lugares onde se apresenta, cantando todos os seus sucessos. Em 2008 a banda Manitu começou o ano com muita energia, iniciando as preparações para as gravações do novo CD e o 1º DVD da carreira.

 

“Imposto de Renda Solidário”

   FACCO Numa iniciativa pioneira, a Faculdade de Ciências Contábeis, Facco, realiza o projeto “Imposto de Renda Solidário”, visando auxiliar as pessoas que precisam fazer a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2008 – ano base 2007 – e têm dificuldades. Com exceção de empresários, produtores rurais e profissionais liberais, que não podem ser beneficiados, o atendimento é feito pelos próprios alunos da faculdade, com a supervisão dos professores da área. Representantes comerciais autônomos também podem utilizar o serviço.

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  • Postado em 23:20:27

1ª parte: Demissões, aliança política e Jimi

   No sábado 12/4, Selma Linhares, assessora/esposa, e Gilson Alves de Freitas, secretário de Fazenda, presos desde o dia 9/4, pela Polícia Federal, acusados de participarem de um esquema criminoso que fraudava o INSS para receber de forma indevida dinheiro do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), receberam autorização da Corte Especial do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, para deixar a cadeia. Suas liberações deveu-se a que o TRF entendeu que o juiz corregedor da Justiça Federal, o desembargador Jirair Aran Meguerian, não poderia ter decretado a prisão do Juiz Welinton Militão, acusado de integrar o esquema fraudulento vendendo sentenças judiciais favoráveis às prefeituras, liberando as dividas com o INSS. Segundo a decisão somente a corte do Tribunal poderia pedir a prisão. Como o pedido de prisão foi coletivo, o alvará de soltura se estendeu a todos os presos. O pedido para a liberdade partiu dos advogados do juiz Weliton Militão. Selma Linhares e Gilson foram liberados por volta à noite. Um fato que causou estranheza foi o carro oficial do Gabinete do Prefeito, o Astra, HMN 6757, ter sido utilizado para buscar Selma Linhares. O veículo foi flagrado pel reportagem do jornal SuperNotícias, na porta da penitenciária Estevão Pinto, parado esperando Selma Linhares.

 

Pedido de demissão

Cerca de setenta e duas horas depois da libertação de sua esposa/assessora e de seu secretário de Fazenda da cadeia, acuado e pressionado pela opinião pública e correligionários políticos, na terça-feira 15, Taquinho Linhares (PSB) aceitou pedido de demissões de Selma Linhares e de Gilson Alves Freitas. Fontes ligadas ao PT, e ao PSB, disseram que se Selma e Gilson não se demitissem, muitos aliados se afastariam da administração e não participariam da campanha de re-eleição de Linhares. Foi cogitada hipótese de se promover a expulsão de ambos do PSB. Há entendimentos de que Selma afasta-se do foco das cobranças, mas que continuará interferindo na prefeitura. Outras fontes da base aliada confidenciaram a este repórter de que a proposta de reeleição de Taquinho Linhares foi duramente atingida, e que não se descarta a possibilidade de ser lançado outro candidato da coligação PSB/PT/PMN, substituindo o atual prefeito. O preferido é Felipe Néri com Paulo Augusto, Guto, Malta, para vice.

 

Prefeitura contra empresa do esquema

  O prefeito mentiu para a imprensa, na entrevista coletiva concedida no dia 9/4, horas depois das prisões de Selma Linhares e Gilson Alves Freitas. Na ocasião, ele afirmou que a Polícia Federal não encontrou nenhum documento que pudesse ligar a prefeitura de Ponte Nova, ao escritório de advocacia de Belo Horizonte, integrante do esquema de fraudes contra o INSS e FPM. O prefeito falou que nome da empresa contrata pelo Município tinha o nome muito parecido, mas não tinha nada haver. O que Taquinho Linhares disse não era verdade. Tivemos acesso a documentos que comprovam que a prefeitura celebrou contrato com a empresa PCQ Consultoria Empresarial e Pública, de Belo Horizonte, do advogado Fabrício Alves Quirino, que encontra-se preso, acusado de ser um dos integrantes do esquema fraudulento. A empresa foi contratada por licitação, modelo concorrência pública, em duas etapas. O processo licitatório foi definido no dia 14 de novembro de 200. Há suspeitas de fraude no processo licitatório. O contrato celebrado com a empresa garantia à mesma R$ 150 mil à título de pagamento; mais 20% sobre o valor da quantia a ser ressarcida pelo INSS (algo em torno de R$ 1 milhão).

 

Vereadores pedem apuração com ponderação

   Na Câmara de Vereadores, na segunda-feira 14/4, ao contrário das expectativas, o clima foi de tranqüilidade, de respeito, prudência e cobrança.  O presidente Dennis Mendonça Ramos (PSB) não compareceu, e justificando a sua ausência. Paulo Roberto dos Santos, vice-presidente, assumiu, interinamente, e comandou a reunião. As prisões de Selma Linhares e Gilson Alves Freitas não provocaram os esperados e esquentados debates. Exceto Aninha que não se manifestou e Dennis Mendonça, ausente, os demais vereadores tiveram prudência em seus pronunciamentos.

 

Toninho Araújo pede afastamento dos envolvidos

   “Chegou a hora de o prefeito mostrar transparência e tomar atitude no caso da Policia Federal. Não quero acusar ninguém, mas eles têm que estar afastados de suas funções. É hora dele mostrar que é transparente, pois sempre falou que não deixaria passar nada errado na prefeitura, e é hora dele mostrar essa transparência. Mais uma vez, Ponte Nova ocupa manchetes da imprensa no Brasil e no mundo. Vamos prefeito, faça isso por Ponte Nova, mande-os embora”.

 

Valéria Alvarenga

   “Câmara não pode se omitir” “Eu não poderia me calar diante de tão graves acontecimentos. Se calasse seria omissa. Não venho aqui para jogar pedra, nem para acusar. Como estudante de curso de Direito, aprendemos que todos os criminosos têm amplo direito de defesa. Não estou acusando ninguém. Estou falando pela voz do povo que precisa de satisfação. As acusações são sérias demais. Essa Casa não pode se omitir. O povo conclama e temos que agir. Preciso cobrar e para isso foi eleita. Ganho bem para exercer minha função de vereadora. Há mais de três anos, eu e os demais vereadores de oposição cobramos o envio de documentos para que nós façamos a fiscalização e ele não envia. O Governo municipal que não gosta de ser fiscalizado. Ele não envia documentos, não é transparente. Assim temos que desconfiar que haja algo de errado. Se me perguntarem se estou feliz, direi que não. Não agradei em nada do que ocorreu. Fiquei em estado de choque. Ele que tanto falou de corrupção na administração anterior, agora vê a Polícia Federal invadir a sua casa, carregar R$ 54 mil, documentos, objetos, e prender a sua mulher. Na administração anterior e na história de Ponte Nova, nunca houve caso igual. Minha reação não foi e nem é de glória. Fiquei estarrecida, o caso mancha o nome de Ponte nova. O Governo tem que dar uma satisfação. Não adianta o silencio. O Povo tem que saber, detalhe por detalhe do que aconteceu.Digo ao povo que esta Câmara não ficará calada”

 

Wagner Guimarães solicita informações sobre as prisões

   O vereador Wagner Guimarães (PV), o mais ferrenho defensor da administração do governo municipal preferiu não se manifestar. Limitou-se a enviar um oficio ao Tribunal Regional Federal, no sentido que se forneçam todas as informações sobre os mandado de busca e apreensão, e prisão de Selma Alves Ferreira, Selma Linhares, e Gilson Freitas, suspeitos envolvimento na liberação irregular dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios. O vereador entende que as informações oficiais são fundamentais para que a população tome conhecimento sobre o que fato aconteceu em Ponte Nova, se houve ou não ilicitude cometidas. As informações servirão para abalizar iniciativas que a Câmara deverá tomar sobre o assunto.

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  • Postado em 23:05:55

11.04.08

Parte 1: Prisões, vergonha, lágrimas e evasivas

   Leia em 2 partes tudo sobre a vinda da PF e prisão da primeira dama Selma Linhares.   

   Mais uma vez, o nome de Ponte Nova, ocupa as manchetes da imprensa de maneira negativa e vexatória. Em pouco mais de três anos, convivemos frequentemente, com esse tipo de exposição – retirada de imagens e santos; prisão dos “Irmãos Metralha”; carnaval sem carnaval; retirada de treileres/passeata; bárbaro assassinato de 23 presos na cadeia pública, construção de presídio, obstrução de via pública e prejuízos para programação da Semana Santa, etc. De novo e de novo. Até quando teremos que conviver com tais acontecimentos? A situação é muito séria e grave. As prisões pegaram os profissionais de imprensa, o mundo político local e a população de surpresa. A cidade praticamente parou, estupefata, para acompanhar o assunto. A Polícia Federal e a Justiça cumprem seus papéis, exemplarmente. No contexto político local, cabe à Câmara de Vereadores tomar atitudes, de forma coerente, equilibrada, independente, que ajude elucidar completamente essas acusações e outras ... Não é hora de radicalismo, de passionalismo, tampouco de omissão, e nem de fingir que “nada aconteceu ou vem acontecendo”. Os cidadãos, os eleitores, cobrarão a fatura em breve.

 

Polícia Federal prende assessora/esposa e Secretário de Fazenda

   A pouco menos de seis meses das eleições municipais, o prefeito Taquinho Linhares enfrenta uma de suas piores crises. Na manhã de quarta-feira 9, dois dos principais assessores do prefeito Taquinho Linhares (PSB) - Selma Linhares, assessora especial/esposa, coordenadora de licitações e Gilson Freitas, secretário de Fazenda – foram presos pela Polícia Federal, em cumprimento a ordem judicial. A ação foi comandada por três delegados e contou a participação de mais dezesseis agentes policiais, divididos em três equipes e cinco carros. O ato policial foi realizado de maneira simultânea, a partir de 6h40 da manhã, em três locais distintos: 1 - na residência do secretário de Fazenda, Gilson Freitas, no bairro do Triângulo – onde não foi encontrado. Ele foi localizado e preso, em Belo Horizonte , onde participava de um curso. Na residência do Secretário a Polícia confiscou um note-book, diversos documentos e um carro Fiat Palio 2008. 2 – no prédio da Prefeitura, no Centro Histórico, os policiais recolheram dois malotes de documentos. 3 – Na residência do prefeito Taquinho Linhares, no bairro Alto Boa Vista, houve confisco de dois notebooks, documentos e R$ 54 mil reais encontrados dentro de um cofre da casa. Para entrar na casa de Taquinho Linhares e de sua esposa/assessora, os policiais não tiveram a mesma facilidade encontrada nos outros locais. Tocaram campainha por seis vezes e bateram na porta, por cerca de 10 minutos. Não foram atendidos. Convocaram duas testemunhas que passavam pela rua Laura Vicunha e arrombam a porta lateral de entrada, entrando no domicílio. Depois de duas horas, dentro da casa vasculhando documentos e pertences, em todos os cômodos, foi anunciada a prisão de Selma Linhares. O prefeito passou mal, com problemas de hipertensão arterial. Chegou quase a desmaiar. O médico Rovilson Lara, atual secretário de Saúde de Ponte Nova, para atendê-lo. Muito abatida e trêmula, Selma foi conduzida para a viatura por duas policiais mulheres e três homens, carregando uma mala de pertences.  Sem algemas ela sentou-se no banco de trás. A imprensa permaneceu no local, desde o início da operação. Dezenas de curiosos tomaram conta da rua e prédios vizinhos. As ações da Policia na casa do prefeito foram acompanhadas pelos assessores Jurídicos da prefeitura, Hélio Fernandes Pinto, Luciana Maroca, e pela secretaria de Governo, Carminha Santos, e duas testemunhas.

 

Acusações

   Pesa sobre os assessores Selma Linhares e Gilson Freitas, acusações de estarem envolvidos em um esquema ilegal de negociação de decisões judiciais, fraudes em licitações para lesar INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), em que o Município receberia verbas do Fundo de Participação dos Municípios, FPM, mesmo estando em débito com o INSS. Selma Linhares e Gilson Freitas teriam sido flagrados em conversações telefônicas grampeadas pela Policia Federal. Selma Linhares e Gilson Freitas, e outros investigados poderão responder pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, advocacia administrativa, exploração de prestígio, fraude a licitação, quebra de sigilo de dados e lavagem de dinheiro. As penas previstas para esses crimes, somadas, chegam a 20 anos de prisão. A Receita Federal também irá investigar os suspeitos por sonegação fiscal.

 

Investigação

   A investigação, iniciada a cerca de oito meses, revelou envolvimento de magistrados, prefeitos, advogados, procuradores municipais, assessores e lobistas, de Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal, no esquema. Segundo a PF, a suposta quadrilha teria causado prejuízo de mais de 200 milhões de reais aos cofres públicos nos estados. Além de Ponte Nova, a operação policial, denominada Pasárgada, estendeu-se a diversas outras cidades mineiras e baianas. Cerca de 500 policiais foram mobilizados para cumprir 150 mandados - 100 de busca e apreensão e 50 de prisão. As prisões e mandados de busca e apreensão foram autorizadas pelo Corregedor do Tribunal Regional Federal, em Belo Horizonte, Jirair Aram Meguerian. Ele não quis falar à imprensa. Sua assessoria de Comunicação, informou que não comentaria a possível participação de magistrados, porque a investigação está sob sigilo. As investigações da Polícia Federal indicam que as prefeituras Guaraciba, Rio Casca e Abre Campo teriam se beneficiado do esquema.

 

Presos e sem regalia

     Selma Linhares está presa na Penitenciária Estevão Pinto. Outras seis mulheres detidas na “Operação” encontram-se no mesmo local com ela. Gilson Freitas está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Outros profissionais de imprensa informaram a este Blog, que eles vestem uniforme vermelho cedido pela Superintendência de Segurança e Movimentação Penitenciária da Subsecretaria de Administração Penitenciária (Suape), da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Eles têm direito a quatro refeições por dia: café da manhã, almoço, lanche e jantar. No cardápio consta pão com manteiga, café com leite, arroz, feijão, macarrão e um pedaço de carne. Não têm direito a repetir a refeição. Selma Linhares (Penitenciária Estevão Pinto) e Gilson Freitas (Penitenciária Nelson Hungria, Contagem), estão em cela com capacidade para dois presos. A cela tem cama de alvenaria, pia chuveiro e fossa. Eles estão incomunicáveis com a família. Visitas somente para advogados. Não há direito a qualquer tipo de privilégio. Nesta fase a Polícia Federal, averigua cada depoimento, e no caso de informações errôneas, faz acareações. Se for verificado que o acusado não tem mais explicações a dar, ele poderá ser solto antes dos cinco dias da prisão temporária. Caso contrário pode se pedir a prorrogação da prisão por mais cinco dias ou até mesmo a prisão preventiva, com prazo indeterminado.

 

Susto e choro

   As pessoas presas acreditavam que ficariam detidos na sede da instituição, onde costumam ficar presos ilustres e ricos. Ledo engano. Eles não imaginavam que iriam para penitenciárias nas quais estão presos traficantes, homicidas, assaltantes e latrocidas. Segundo uma fonte, quando os presos souberam para onde iriam, muitos entraram em desespero, ficaram assustados como crianças e um deles teria desmaiado. Os acusados foram transferidos para penitenciárias porque a carceragem da Polícia Federal está desativada.

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  • Postado em 16:59:32

Parte 2: Prisões, vergonha, lágrimas e evasivas

Esquema

   De acordo com as apurações da Policia Federal, lobistas procuravam prefeituras para oferecer o esquema ilegal oferecendo pacotes completos Estes pacotes continham decisões liminares expedidas por um juiz para liberar recursos do FPM que não poderiam chegar aos cofres das prefeituras. Segundo a PF, os prefeitos contratavam, sem licitação, escritório de advocacia que ofereciam indevidas vantagens a juízes e servidores da Justiça para obter decisões favoráveis. O escritório pertenceria supostamente a um lobista, que repartiria seus honorários com os envolvidos no esquema. Segundo a Polícia Federal, 6% dos recursos do FPM são retidos para pagamento de dívidas de municípios em débito com o INSS, mas o dinheiro era liberado ilegalmente. O coordenador da operação, Mário Alexandre Veloso Aguiar, afirma que o INSS é apenas “vítima” da quadrilha. “O esquema ilegal era realizado há pelo menos três anos”, afirma. Estão sendo investigadas diversas prefeituras que entraram na Justiça contra o INSS através de escritório de advocacia requerendo devolução de dinheiro que teria sido pago a mais.

 

Taquinho Linhares reúne imprensa

 Na tarde de quarta-feira 9, horas depois após o episódio, a imprensa local foi convidada a participar de entrevista coletiva com o prefeito. Marcada para às 17 horas, a entrevista teve inicio às 17h30. A entrevista foi acompanhada por cerca de 20 pessoas, secretários, assessores, alguns parentes e amigos de Linhares. Demonstrando muito abatimento, o prefeito conversou com os profissionais de imprensa, acompanhado do médico Rovilson Lara, secretário de Saúde, e presidente do PSB, e Carminha Santos, secretário de Governo. Antes da coletiva, houve um encontro do prefeito com seus assessores, secretários e vereadores da base aliada. O encontro foi idealizado por Carninha e Rovilson, e teve por objetivo prestar esclarecimentos aos aliados. A entrevista foi pouco esclarecedora e cheia de subterfúgios. O prefeito negou qualquer irregularidade na prefeitura, especialmente na questão INSS/FPM. Disse que a prefeitura acumulou dívida com o INSS pelo não recolhimento de encargos devidos, ao longo de administrações. E que encontrou em curso pagamento da dívida, com valores altos e resolveu questionar. Para tanto promoveu ação judicial para rever a dívida, e o Município ter direito à restituição de valores pagos indevidamente. Revelou que a administração foi procurada por diversas empresas do ramo, com propostas mirabolantes para se ganhar ações contra o INSS. Disse que não aceitou nenhuma das propostas. Afirmou que contratou uma empresa de consultoria para recuperação de créditos municipais junto ao INSS, obedecendo-se instrumentos legais. Apuramos que a licitação, no modelo de concorrência pública, foi realizada em dois tempos: num primeiro momento, nenhuma empresa compareceu. Num segundo instante, em 14/11, de 2006, somente uma empresa participou do processo licitatório - a BCQ Consultoria Empresarial e Pública Ltda, de Belo Horizonte, que foi a vencedora. O prefeito disse que a contratada não estaria na lista das empresas investigadas pela Polícia Federal. Ele informou que desde meados do ano passado, por decisão cautelar da Justiça, a prefeitura deixou de pagar parte da dívida com o INSS. Como ainda o processo tramita na Justiça, a prefeitura provisiona recursos financeiros, pois caso perca a Ação Principal, terá dinheiro para cumprir a sentença. Informou que a prefeitura teria pago ao INSS, indevidamente, mais de cinco milhões de reais. “A dívida não deixou de ser paga hora nenhuma”, enfatizou. “Não sabemos se esta empresa está envolvida. Mas se estiver é problema dela não é nosso”, afirmou o prefeito.

 

Lamentos, religiosidade e declaração de amor

   “Estou muito aborrecido com os fatos. Sei que receberei uma carga muito grande de acusações. Acredito que mais de mil prefeituras tenham movido ação, no mesmo sentido contra o INSS. Vamos aguardar o desenrolar das questões. Vamos esclarecer à população no sentido de evitar a exploração dos fatos”, disse. Linhares condenou o julgamento popular com condenação prévia, e falou que tudo será esclarecido. Durante toda a entrevista, Linhares discordou da imprensa local, de que Selma tenha sido presa pela Polícia Federal. Ele afirmou que ela foi conduzida para prestar depoimentos. Informações da Polícia Federal desmentem tais afirmações: Selma Linhares e Gilson Freitas foram presos em cumprimento à ordem judicial. Linhares falou que não acompanhou sua esposa a Belo Horizonte, no sentido de ficar em Ponte Nova para esclarecer os fatos à população, para evitar exploração oportunista do assunto. O prefeito tentou abafar os impactos negativos da ação da Policia Federal: “Alguém teria que ficar aqui para falar o que é verdadeiro, o que é oficial. Hoje, 95% por cento do que se fala na cidade, não é verdadeiro. É igual à história da retirada das imagens e santos, em que 99% do que se falou e saiu na imprensa não é verdade. O problema está além da prefeitura. O que estamos fazendo está tudo certo.  Não tem jeito de um Juiz dar uma sentença e saber que as coisas aqui estão todas certas”, garantiu. Ele não soube responder os motivos da prisão de sua esposa/assessora e do secretário de Fazenda. Questionado pelo Jornal Listão sobre o confisco de cerca de R$ 54 mil reais, em dinheiro vivo, encontrados dentro de um cofre em sua casa, ele respondeu o seguinte: - “Isso é assunto particular. Sobre assunto pessoal eu não falo”, respondeu irritado. Em seu pronunciamento de quase uma hora, o prefeito citou o nome de Deus por pelo menos 10 vezes. Disse que a sua tranqüilidade diante dos fatos, devia-se a sua filosofia de vida e religiosa, que o faz crer que Deus não faz nada por acaso. Falou que em outra vida deve ter feito alguma coisa para pagar agora. Quase chorando, o prefeito fez um comentário de relação com Selma Linhares, esposa/assessora: “Tenho uma vida amorosa e familiar com a minha esposa que poucas pessoas têm em Ponte Nova. O número de casais que tem uma convivência igual a nossa não chega a cinco dedos de uma das mãos”.

 

Prefeito em Belo Horizonte

   Na quinta-feira 10, pela manhã, o prefeito viajou para Belo Horizonte, para ficar próximo da esposa-assessora, e tentar junto a advogados a sua libertação. Fontes da prefeitura informaram a este repórter que ele ficaria cinco dias fora do Município. Não fomos informados se a sua viagem e estadia são custeadas pelos cofres públicos ou por conta própria. A Assessoria de Imprensa da prefeitura ainda não informou quem é ou são os advogados de Selma Linhares e Gilson Freitas

Na sexta-feira 11, à noite, este Blog apurou que o prefeito já se encontrava de volta à cidade, tendo despachado, normalmente, no entardecer com assessores, em seu gabinete.

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  • Postado em 16:41:30

05.04.08

Cassação, Pizza, desmoralização e omissão

   A decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais – TRE – ocorrida no dia 1º/4, cassando o mandato da vereadora Regina de Fátima Nogueira (DEM), de Ewbanck da Câmara, nos termos da Resolução 22.610/2007, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que trata da infidelidade partidária deixou em polvorosa dezenas de parlamentares mineiros que se encontram na mesma situação. Em Ponte Nova, o momento é de silêncio, de espera e de muita oração. Os vereadores Paulo Roberto dos Santos (PSB); Wagner Guimarães e Aninha de Fizica, ambos do PV, permanecem mudos sem se manifestar. Há muito medo e apreensão.

 

 

   Este blog teve acesso a boletins e resultados de três pesquisas eleitorais feitas em Ponte Nova, nos últimos 15 dias, que não foram registradas na Justiça Eleitoral. A situação encontra-se muito indefinida. A provável ausência de “caciques políticos” na disputa, como Antônio Bartolomeu, Carlos Jardim, Zezé Abdalla, Orlando da Coferpon e Joãozinho Carvalho, deixa o quadro muito confuso e milhares de eleitores órfãos. As pesquisas avaliaram positivamente a atual administração, mas ao mesmo tempo mostram um quadro de rejeição ao atual comandante. As pesquisas dão suposta dianteira a fictícios nomes como Dr Nullo, seguido de Zénunssei. O eleitor ainda não se posicionou. Está à espera de definições.

 

 

     Ponte Nova é igual à Brasília? Não. Está quase igual: na capital federal, as indigestas “pizzas” produzidas pela Câmara dos Deputados e Senado, envergonham os cidadãos. Em Ponte Nova, há cheiro de orégano no ar, sendo preparada pela CPI do Novo Olhar. Os depoimentos dados aos membros da CPI - Wagner Guimarães (PV), presidente, Pastora Rosângela (PSB), Relatora, e Valéria Alvarenga (PSDB), principal denunciante, dão mostras e evidências de supostas relações e favorecimentos ilegais a membros da Associação Novo Olhar, e a assessores e servidores municipais. Depois de propalar que “nada devia, e que estava tudo certinho”, o prefeito foge pela tangente: acusa que a CPI faz devassa, e que foge do foco da investigação. Assim, catimba e tenta impedir uma investigação mais concreta. A Câmara tenta na Justiça garantir o direito de ter acesso a comprovantes pagamentos que podem garantir os favorecimentos ilegais. Longe dos holofotes, o prefeito e uma tropa de choque pressionam os dois aliados da Cpi para a conclusão imediata dos trabalhos. O resultado das pressões pode ser a não convocação de mais testemunhas para prestar depoimentos, dentre as quais as Assessoras Selma Linhares e Milena Campos de Oliveira. Faltam explicações sobre a doação de material e equipamentos à Novo Olhar pela prefeitura, sem autorização legal. Dentre um emaranhado de interrogações falta explicar a saída de cimento, areia e brita do pátio da Secretaria de Obras para a fabricação de bloquetes. A população não perdoará a falta de explicações e elucidação do que já se considera um “grande laranjal”. Um arquivamento ou emissão de relatório sem apuração devida pode aprofundar a crise de credibilidade do Poder Legislativo.

 

 

   A credibilidade da Câmara de Vereadores piora a cada dia. O prefeito faz o Poder Legislativo de “gato e sapato”, com reações isoladas e coreográficas.O Chefe do Executivo está se lixando para o cumprimento de prazos no envio de projetos de leis. Passa por cima do Regimento Interno, vira as costas para a Lei Orgânica do Município. Faz tudo ao contrário do que fez e praticou quando foi vereador (e dos bons!). Age como se fosse dono da Casa. Os inquilinos do Legislativo têm prazo de moradia, e reagem timidamente, salvos alguns roucos protestos dos vereadores oposicionistas. Praticamente inexiste a independência dos poderes. Em Brasília, a base aliada atende cegamente as orientações palacianas. Em Ponte Nova, não há diferença, os governistas obedecem as ordens do “Comandante”. Caso contrário terão as suas cabeças ceifadas e com elas os seus projetos eleitorais. Ainda há tempo, para o Legislativo retomar o seu verdadeiro e histórico papel. Sem radicalismos e sem omissão. Figuras como Wilson Carvalho, João Mayrink, João Calça-Larga, Bié, Walter Isaac, Francisco Linhares Ribeiro, Abdalla Felício, e outros grandes nomes, devem estar se remexendo nas suas moradias eternas.

 

 

   Os “ambientalistas” de Ponte Nova, do Codema, da Puro Verde, e assemelhados, devem satisfação aos desmandos que ocorrem no setor. Nunca se viu tanta transgressão, tanta agressão, sob os olhares coniventes, obedientes, com raros casos de protestos, sem ação efetiva e adequada. Há “ambientalistas” que afirmam, convictamente, que não há nada irregular, e suas posições modernizaram-se, e que hoje preferem não agir isoladamente. Agem em consonância com a entidade. Qual entidade? Se houve omissão no passado (e eu me incluo dentre os omissos), hoje ela continua. Antes, e em alguns casos, de maneira inconseqüente, se julgava que o patrimônio ambiental jamais se acabaria. Atualmente, há muito conhecimento, as posturas são mascaradas com atitudes de modernização, revitalização, política de segurança, que escondem muitos interesses escusos. Falta transparência.

 

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